terça-feira, 12 de março de 2019

LINGUAGEM VERBAL E VISUAL - DIÁLOGOS



  A ESCOLA QUE QUEREMOS
  TEXTO VISUAL  intertextualizando com o TEXTO VERBAL

"A linguagem verbal e a visual travam diálogos intensos e imemoriais entre si e provocam outros tantos entre seus autores e leitores. Mas principalmente em nosso tempo, essa interação adquire importância fundamental, pelas possibilidades cada vez maiores de diferentes linguagens iluminarem-se mutuamente, ampliando seus meios expressivos e suas leituras" (Martins, 2004, p. 95)

 “O ANALFABETO DO FUTURO NÃO SERÁ QUEM NÃO SABE ESCREVER, E SIM QUEM NÃO SABE FOTOGRAFAR”. MAS UM FOTÓGRAFO QUE NÃO SABE LER SUAS PRÓPRIAS IMAGENS NÃO É PIOR QUE UM ANALFABETO?
WALTER BENJAMIN "Pequena História da Fotografia"


                                    "O processo estético-artístico que se  desenvolve através da história contada pela imagem  como  exercício em sala de aula (fotografia, colagem, desenho, pintura, vídeo, performance)  , expressa,  discute  e  faz refletir coletivamente sobre um determinado tema. Dessa maneira, revela-se uma prática importante para o desenvolvimento da aprendizagem, porque desenvolve pela narrativa visual, a consciência  de si mesmo, do outro e do mundo, fazendo do educando um sujeito crítico e cidadão com autonomia de pensamento.
                                   Roland Barthes(1984) questiona estarmos vivendo num mundo de imagens figurativas e significativas, mas para ver é preciso sensibilizar o olhar e dar significado, chamando atenção para alguns aspectos que se queira destacar.
O fotógrafo lê as imagens de sua autoria registrando fotograficamente representações da realidade, mas antes de ler imagens fotográficas, ele lê a realidade.
"Hoje a imagem não ilustra e nem reproduz a realidade, ela constrói a partir de uma linguagem própria que é produzida num dado contexto histórico"(Saliba 2004).
"A linguagem visual tem ganhado cada vez mais relevância em nosso meio social,influenciando os meios de comunicação. Com o avanço dos sistemas audiovisuais, as imagens passam a chamar atenção, fazendo surgir uma nova prática de leitura.  Em qualquer parte do mundo, as imagens são de fácil compreensão, pois não necessitam de idiomas para ser entendidas. Associadas à linguagem verbal ou não, elas proporcionam a informação criando conceitos a partir do que visualizamos. Talvez por isso tenham se tornado uma ferramenta muito eficaz para comunicação. "        
                                               Texto Visual: Uma nova concepção de leitura  
                                            Solange dos Santos - Universidade Federal do Sergipe

A proposta desse projeto " A ESCOLA QUE QUEREMOS" é mediar a criação pelos nossos alunos de  narrativas sobre  temas escolhidos, pensados e  escritos nas aulas de Humanas e Exatas, articulados com as cenas e imagens propostas nas aulas de Artes Visuais, através fotografias, desenhos e performances, explorando dessa maneira a intertextualidade entre as duas linguagens   e dando voz e visualidade aos nossos alunos PRODUTORES de CULTURA , pensantes  criativos e atuantes, fazendo um diálogo que emociona e expande a criatividade.
                                                                                Janete Martins Bloise




                     

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A importância das emoções na aprendizagem

    A SME tem se preocupado bastante com a questão da Educação Positiva  nas salas de aula, que desenvolve as habilidades e competências  socioemocionais  para a melhora do desempenho acadêmico, evitando  situações de violência. Tem apresentado palestrantes importantes nessa área, tanto no ano de 2018 como no início de 2019.  Uma nova Sesem(Semana de Educação socioemocional ) já foi anunciada e também  a culminância com apresentação dos trabalhos desenvolvidos nas escolas nessa área. Isso nos traz um sentimento de felicidade, porque vem somar com nossa proposta do ALFArtE de alfabetização pela Arte e Emoção.  Apresentamos 5 projetos em 2018 na culminância da SESEM, desenvolvidos em parceria de escolas da 1a. CRE e Ged/ALFArtE.


As emoções não podem continuar a ser separadas das cognições nas escolas e nas salas de aula do século XXI, como o foram no passado. A aprendizagem significativa e motivadora é o resultado da interação entre a emoção e a cognição, ambas estão tão conectadas a um nível neurofuncional tão básico, que se uma não funcionar a outra é afetada consideravelmente."
Revista Psicopedagogia

versão impressa ISSN 0103-8486

Rev. psicopedag. vol.33 no.102 São Paulo  2016

Vitor da Fonseca
Professor Catedrático e Agregado da Universidade de Lisboa, Consultor Psicopedagógico, Oeiras, Portugal



Durante a semana de planejamento do professor em  2019, novamente tivemos a palestrante Beth P. Rodrigues que muito acrescentou no lidar de maneira mais harmônica com situações desafiadoras que nos deparamos em sala de aula com a apresentação novamente da Disciplina Positiva.

Disciplina Positiva

Bete Rodrigues é graduada em Letras (Língua Portuguesa e Inglesa) pela PUC-SP e mestre em Linguística Aplicada. Trabalha com educação há 36 anos e se deparou com a Disciplina Positiva quando lecionava para uma turma com 47 alunos na Escola Municipal Miguel Arraes, em Paraisópolis, um bairro paulistano com muitas pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade. A teoria da psicóloga americana Jane Nelsen, baseada na obra de Alfred Adler, psicólogo austríaco, e Rudolf Dreikurs, psiquiatra também austríaco, mudou o modo como a professora lidava com as atitudes desafiadoras dos estudantes da antiga 3ª série do Ensino Fundamental, atualmente, 4º ano. Desde 2008, ela segue encantada por essa mudança de paradigma, que oferece orientações de como lidar com o comportamento humano de forma mais harmônica e saudável, e é uma das duas treinadoras brasileiras formadas pela própria Jane Nelsen.




No ano de 2018 também tivemos palestrantes que muito contribuiram na SESEM
















sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Mandalas e educação emocional


As mandalas  são janelas para alma, uma porta de acesso ao conhecimento interior.
 O que te faz feliz? Entrevistas construtivas da felicidade, nas aulas de artes e "projeto de vida" na escola Rivadávia Corrêa com a professora Janete Bloise

 

Exposição de Artes na 1a. CRE


Pensando na valorização do profissional de educação, a 1a. CRE promoveu uma exposição no mês do professor e do funcionário público, em outubro de 2018, nos corredores da CRE situada na Pça Mauá, que mostrou a criatividade e talento da sua equipe. Essa é uma CRE produtora de Cultura.





O Alfarte movimentando a CRE  e criando uma mandala coletiva, em que cada pedacinho foi pintado por uma seção da 1a. CRE




quarta-feira, 19 de setembro de 2018


Projeto ALFArte sendo apresentado no CTURP aos diretores das escolas da 1a. CRE e à subsecretária de Educação Maria Nazareth e sua equipe.
Vídeo filmado e editado pelo Professor Lindomar diretor do Nucleo de Artes Av. dos Desfiles


canal do youtube do Professor Lindomar:
https://www.youtube.com/user/professorlindomar

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Arte e a Alfabetização




Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte.


A apresentação dos Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (1997, p. 11) deixa clara a importância da arte para a formação do ser humano: A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido às experiências das pessoas: por meio dele, o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação. Aprender arte envolve, basicamente, fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve, também, conhecer, apreciar e refletir sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e épocas.
Sendo assim, como ensinar sem sensibilidade? Como atingir ao outro sem aflorar as emoções? Como desenvolver a capacidade criativa do sujeito humano?
Segundo Barbosa (2005, p. 27-28), "não se alfabetiza fazendo apenas as crianças juntarem as letras. Há uma alfabetização cultural sem a qual a letra pouco significa. A leitura social, cultural e estética do meio ambiente vai dar sentido ao mundo da leitura verbal". É nesse contexto, que considero imprescindível um trabalho coletivo entre o(a) professor(a) regente e o(a) professor(a) de Artes, a fim de contribuir nos processos do ensino e da aprendizagem. Nosso filho então nasce: AlfArte!  Nasceu vigoroso, cheio de sensibilidade, desejoso de articulações, objetivando as concretizações dos saberes, que iluminam e propiciam a formação humana.
                                                       A arte consiste em fazer os outros                                                       sentir o que nós sentimos, em  os  libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade  para especial libertação.
Valeria  Jaconiano Vieira
Gerente da E/1ªCRE/GED

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Ciep José Pedro Varela

Visita ao Ciep José Pedro Varela,  escola Piloto do Projeto ALFArte no final de JUNHO, para o acompanhamento do PROJETO Menino Poti de Gamificação nas aulas de alfabetização. O Resultado foi surpreendente. Assistam ao vídeo:










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Apresentação do Projeto e entrega de material para planejamentos coletivos dia 9 de maio de 2018



 











terça-feira, 10 de julho de 2018

Para que trabalhar as habilidades socioemocionais?

                                                                           

http://porvir.org/especiais/socioemocionais/


Mandala AlfartE -
alfabetização pela arte e emoção
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NOVA ESCOLA 

POR:
Soraia Yoshida

Crianças precisam aprender habilidades socioemocionais na escola

A especialista norte-americana Pamela Bruening defende que esse aprendizado cria seres humanos completos

Ilustração: Getty Images
“Se as crianças aprendem habilidades socioemocionais, elas vão ter consciência de quem são, quais são seus pontos fortes, como se desenvolver e trabalhar essas áreas. Se queremos alunos mais engajados, é o que temos de fazer”, afirma a especialista norte-americana Pamela Bruening, diretora de aprendizado profissional na Cloud9World. Em sua apresentação durante a Bett Educar, ela defendeu que as habilidades socioemocionais podem ajudar a construir seres humanos mais completos. E que a escola deve ter esse papel no aprendizado e na prática, estendidos também à família e comunidade.
Das dez habilidades identificadas pelo Forum Econômico Mundial, seis envolvem competências sociais e emocionais - gerenciamento de pessoas, coordenação com outros, inteligência emocional, processo de julgamento e tomada de decisão, orientação para servir e negociação.
Pamela afirma que as principais competências que permeiam o aprendizado socioemocional são autoconsciência, autogerenciamento, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável. É em torno desses pontos que se constrói um aprendizado para o aluno que possa guiá-lo por toda a vida.
Reprodução do gráfico da Casel elenca a importância das habilidades socioemocionais   Arte: Lucas Magalhães
O que envolve cada uma delas:
Autoconsciência
Identificar emoções, ter percepção afiada, reconhecer pontos fortes, desenvolver autoconfiança e autoeficácia
Consciência social
Saber olhar as coisas em perspectiva, desenvolver empatia, apreciar diversidade e respeitar os outros
Autogerenciamento
Aprender a controlar impulsos, saber lidar com estresse, ter disciplina, automotivação, buscar objetivos, construir habilidades organizacionais
Habilidades de relacionamento
Comunicação, engajamento social, construir relações e saber trabalhar em grupo
Tomada de decisão responsável
Identificar problemas, analisar e avaliar situações, solucionar problemas, refletir, ter responsabilidade ética
Se as escolas estruturarem uma linha de trabalho que contemple essas cinco competências, então as chances de sucesso tornam-se muito maiores. “Se uma escola inteira adotar essa linha de trabalho, os resultados vão aparecer em pouco tempo. Se for uma classe só, ainda assim fará diferença”, afirma.
Escolas que estão implementando o aprendizado de habilidades socioemocionais de maneira sistêmca registraram um aumento no nível acadêmico de seus alunos. Uma pesquisa com diretores mostrou que no desenvolvimento da habilidade dos alunos de aplicar seu conhecimento em situações do mundo, 30% reportaram sucesso. Em relação ao desenvolvimento do conhecimento do aluno em áreas importantes, as escolas que fizeram essa opção tiveram 46%.
Nos Estados Unidos, a discussão sobre a implementação de habilidades socioemocionais no currículo vem desde os anos 1990. Dependendo da cidade e do estado, havia interesse na adoção dessas capacidades. Algumas escolas testaram programas como Service Learning, Community Care, entre outros, mas sempre com resultados mistos, pois não havia uma estruturação. Apenas na última década, porém, alguns estados adotaram em seu currículo o aprendizado socioemocional (social and emotional learning, na sigla em inglês).
Para uma implementação adequada, Pamela aponta que é preciso uma estrutura sistêmica para dar apoio a educadores que investem na educação integral, que as cinco competências sejam ensinadas em diversos cenários, estratégias coordenadas em toda escola e que cheguem à comunidade.
De acordo com a especialista, os resultados mais diretos têm se mostrado no desenvolvimento dos alunos para uma carreira. Para esse desenvolvimento, a participação da família é fundamental – “e não apenas no jogo de futebol”. “Se o aluno tem um aprendizado em habilidades socioemocionais na escola, ele é capaz de compreender melhor algumas questões que podem surgir em sua casa”, diz Pamela. “Ele aprende a ter boas relações com os colegas, professores, mentores”.
A implementação, porém, depende muito da mudança de atitude dos professores e formadores, segundo ela. Pamela enfatiza que não adianta ensinar aos alunos valores e crenças que falam diretamente a seu coração, se o próprio profissional não as exercita em seu dia a dia. “Você será acusado de hipocrisia”, avisa.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Objetivos do ALFArte


Objetivo Geral



Repensar o agir em sala de aula suscitando a realização de novas descobertas a cerca de um planejamento que tenha a metacognição, a arte, o diálogo entre os componentes curriculares, a pesquisa ação e o desenvolvimento das competências socioemocionais como princípios norteadores de novas práticas na escola.
Proporcionar uma constante dinâmica de  Projetos Coletivos, desenvolvendo uma Aprendizagem Cooperativa entre diversas disciplinas, visando a Educação Integral do aluno. [1]


Objetivos Específicos:      


 -Sensibilizar e afetar através da arte motivando o corpo docente e discente.

     - Ampliar  o conhecimento sobre os aspectos da metacognição, onde o professor pensa sobre o seu   fazer.

     - Articular atividades envolvendo diferentes áreas de modo que o aluno tenha participação ativa na   construção de seu conhecimento.

     - Planejar coletivamente para que o avanço na aprendizagem seja de todos.

     - Contemplar  as demandas e interesses dos alunos com  necessidades especiais: talentos,   habilidades físicas,  sensoriais, intelectuais e sociais.

     -Proporcionar momentos de fala espontânea dos alunos que favoreçam o desenvolvimentos de suas   habilidades socioemocionais.
P   


[ 1] - http://educacaointegral.org.br/conceito/

ALFABETIZAÇÃO - a criança como sujeito do ato educativo.


                                     ALFABETIZAÇÃO
                                                   


 A prática de alfabetização precisa  de qualidade formal e política.




A linguagem não é algo que possa ser aprisionado e controlado. Ela está em constante transformação. Neste sentido é necessário repensar a linguagem escrita na educação infantil, onde se deve assegurar a prática de atividades, contemporizadas no planejamento diário do fazer na sala de aula. A criança precisa estar familiarizada com as diferentes estruturas do texto escrito e dessa forma ser inserida no fantástico mundo do letramento.
Não devemos jamais esquecer o significado que as palavras devem ter para as crianças. Isso facilitará sua inserção no mundo da escrita, pois a palavra fará parte do contexto vivido por cada criança e também do coletivo daquele espaço de desenvolvimento, possibilitando assim o desafio a voos mais altos.
É importante que a criança passe a ser vista como sujeito do ato educativo. Deve-se, portanto valorizar o sucesso de cada nova descoberta realizada por elas.  Devemos estar sempre atentos às novas descobertas e trazê-las para o coletivo, como forma de socializarmos o saber que deve ser de todos. Isto, com certeza, estará colaborando para o prazer de descobrir o mundo.
Quando o educador possibilita que seus alunos “filosofem” a respeitos de questões surgidas na roda de conversa, viabiliza-se assim a interação do professor com o aluno, onde os dois constroem conhecimento. O professor desafia o aluno, respeitando seu desenvolvimento (estrutura), levando em conta seus interesses, experiências, meio em que vive etc.
Por outro lado, o aluno age sobre o objeto de conhecimento. “É a ação que dá significado, é na interação do sujeito com o meio que este se desenvolve e aprende. A filosofia surge a partir de vivências e do diálogo filosófico” (Piaget).
Devemos estar abertos e atentos às indagações das próprias crianças e não àquelas que nós, adultos, supomos que seriam suas indagações. Devemos privilegiar o processo das crianças em suas questões e não uma resposta final a uma determinada pergunta. O professor deverá então, se apropriar desta discussão e iniciar um processo coletivo, de produção textual, onde ele passará a ser o escriba da fala dos alunos. Isto sim é dar significado importante ao ato de escrever, mostrando a função social da escrita e leitura.
Se quisermos ensinar uma pessoa a ler, temos que colocá-la para ler; se quisermos ensinar uma pessoa a escrever, temos de colocá-la para escrever.

Professora Sandra Costa+



domingo, 17 de junho de 2018

Ginásio Carioca Rivadávia Corrêa


O professor Jean Bodin do Ginásio Carioca Rivadávia Corrêa apresenta uma aula espetáculo, numa formação de professores na Escola Paulo Freire e mostra como uma aula de artes cênicas dialoga com as competências socioemocionais, e desenvolve o discurso visual, articulando imagens num contexto de narrativas.
Jean escreve coletivamente o PROJETO pesquisa-ação ALFArte da 1a.CRE e a escola em que trabalha é uma das escolas piloto desse projeto.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Regio Emilia, educação em forma de Arte

Reportagem do boletim Arte na Escola 2015
http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=75983

"Reggio Emilia, no norte da Itália, não faz sucesso por seus prédios históricos, o suntuoso teatro municipal, ou pelos inúmeros festivais de música. Por ali, o maior interesse está nos inúmeros desenhos coloridos que decoram lojas, restaurantes, bares e ruas da cidade. A vasta coleção não é assinada por nenhum artista renomado, mas pelos alunos da rede de ensino infantil Reggio Children, criada há mais de 50 anos pelo professor Loris Malaguzzi e pela própria comunidade para oferecer um ensino focado no desenvolvimento intelectual, moral, social e emocional das crianças por meio da representação simbólica. 
A abordagem reggiana, considerada um dos melhores modelos pedagógicos do mundo, nasceu de uma mistura de várias teorias educacionais, como Piaget, Montessori, Dewey e Vigotsky com a visão bem peculiar de Malaguzzi de que a criança possui múltiplas linguagens e deve usar todas no processo de aprendizagem. Conhecido como “As Cem Linguagens da Criança”, o modelo utiliza a arte como principal veículo de formação do conhecimento. “Em Reggio Emilia não se aprende da forma tradicional: eu digo isso e você faz aquilo. Aqui a aprendizagem é a construção de significados feita em conjunto”, conta a educadora italiana Paola Struzzi, pedagogista das creches e escolas de educação infantil de Reggio Emilia, que esteve no Brasil em agosto para uma formação de professores.
Nas 21 escolas e 13 creches que integram a rede Reggio Emilia, crianças de zero a 6 anos são constantemente estimuladas a tomarem decisões com o claro objetivo de desenvolver todas as suas potencialidades. Para isso, as salas de aulas foram transformadas em amplos ateliês, com a oferta de vasta gama de materiais de trabalho. Uma professora e uma atelierista trabalham em conjunto, incentivando a reflexão e a experimentação. “Gostamos de fugir da folha branca para instigar as crianças à pesquisa, oferecendo diferentes suportes como papel ondulado, uma folha transparente ou preta, o plástico, a parede”, explica Paola. As atividades são sempre complementadas por narrativas das próprias crianças, que vão criando em conjunto e construindo linhas de raciocínio, relações com o trabalho do colega, novos olhares. “O aprendizado é uma nutrição recíproca, por isso é importante utilizar a transversalidade da linguagem. A narração é uma espécie de imagem mental e não está isolada do desenho no papel ou da palavra escrita. Tudo tem uma relação”, esclarece a educadora. "